Oficina de Aromaterapia Básica e Aplicada à Gestação   Leave a comment

Oficina de Aromaterapia Básica e Aplicada à Gestação em Setembro

Olá!
É com grande alegria que convido a tod@s para as oficinas
WORKSHOP BÁSICO DE AROMATERAPIA
Venha conhecer o instigante universo dos Óleos Essenciais.
Oficina dirigida aos interessados no conhecimento básico e prático de Aromaterapia aplicada ao dia-a-dia.
Data: 10 de setembro de 2011.
Carga Horária: 8h, das 9h às 18h30, com intervalo para almoço.
Local: Sede da Aypar – Rua João Skalski, 61 – Jardim Botânico – Ctba, PRMinistrante: Vishwa Schoppan
Conteúdo Programático:

O que é Aromaterapia;
O que são os Óleos Essenciais (OE);
O que são, quais são e para que servem os principais Óleos Vegetais carreadores (OV);
Formas de uso dos Óleos Essenciais;
Propriedades Terapêuticas dos 10 principais Óleos Essenciais usados na Aromaterapia;

(Alecrim Qt. Cineol, Cipreste, Copaíba destilada, Cravo, Eucalipto globulos, Gengibre, Hortelã Pimenta, Lavanda, Limão e Tea tree).
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OFICINA DE AROMATERAPIA APLICADA À GESTAÇÃO
Promova bem-estar, aconchego e tranquilidade durante a gestação com as gotas preciosas da Mãe Terra: os Óleos Essenciais.
Esta oficina oferece fundamentação teórica para a utilização da aromaterapia durante a gestação, parto, pós-parto e no período de amamentação.Público alvo: doulas, enfermeiras e médicas obstetras, psicólogas, fisioterapeutas, naturoterapeutas, terapeutas ocupacionais,
educadoras perinatais e demais profissionais ligados direta ou indiretamente ao cuidado à gestante.
Data: 11 de setembro de 2011.


Carga horária: 8h, das 9h às 18h30, com intervalo para almoço.
Local: Sede da Aypar – Rua João Skalski, 61 – Jardim Botânico – Ctba, PRMinistrante: Vishwa Schoppan


Conteúdo Programático:
Introdução à Aromaterapia;
Uso e aplicação de Óleos Essenciais OE e Óleos Vegetais OV durante a gestação;
Uso dos OE na prevenção e cuidados à dor lombar, inchaços em geral, insônia, ansiedade etc.
Os OE contraindicados no primeiro trimestre e durante toda a gestação;
Aromaterapia aplicada ao momento do parto (OE indicados no auxílio ao TP);
Aromatização do ambiente da sala de parto;
OE indicados no pós-parto e período da amamentação;
OE auxiliares na depressão pós-parto.

Investimento para cada oficina: R$220,00
Desconto especial para inscrições realizadas até 26/08
Investimento para cada oficina com desconto: R$190,00

Informações e Inscrições:
Nicole Passos
41 9832 6646 (tim) . 41 3328 0449 (res)


Maiores informaçoes sobre a oficina aqui
Conheça Vishwa aqui
Local do evento aqui



** Por amor, repasse o bem. Encaminhe para seus contatos. Todos agradecem. **

Publicado 10/08/2011 por chamaluzxama em Uncategorized

Putanny Pajé Yawanawá   Leave a comment

A Primeira Pajé Brasileira

Ela conta: “Precisei provar da vida de branco para entender a importância de minha cultura”.

A índia acreana Raimunda Putani Yawanawá, 27 anos, é a primeira Pajé brasileira. Para isso, primeiro precisou vencer a resistência dos sábios da tribo, que não admitiam mulheres na função de Pajé.

Depois enfrentou dura prova de resistência — ficar um ano isolada na mata, em contato com a natureza, comendo só alimentos crus, sem tomar água, mas apenas uma bebida especial feita de milho. Fez isso na companhia da irmã, Katia Yawanawá, 26 anos, tendo como guias e mestres os velhos Pajés Yawarami e Tata.

“A gente tinha uma insatisfação que não passava. Fomos conversando sobre a força dos nossos usos e costumes. Deu muita vontade de aprender mais, para poder também ensinar um dia. A vida tem que ter um sentido, uma seqüência”, explica Raimunda, que só pode falar o português para se comunicar com os de fora da tribo.

Um ano depois, as irmãs estavam prontas. Venceram o desafio, fizeram o juramento ao Rare, a planta sagrada dos yawanawá. “Isso é muita responsabilidade”, diz Raimunda.

Agora são Pajés, guias e conselheiras espirituais da tribo, guardiãs dos usos, costumes e da sabedoria de seu povo.

“Hoje eu sei quem eu sou. Estou em paz. Minha língua, minha cultura são muito ricas e bonitas. Elas são nossa identidade. Sei da beleza e da força da natureza. Sinto a força do pensamento. Quando ele é firme, não existe nada impossível, nem nada superior ou inferior. Somos iguais nesta passagem pela vida. Cada um com sua função e o poder de seu querer, que deve ser usado sempre para o bem de todos”, ensina a Pajé Raimunda, que já foi casada e é mãe de dois filhos.

“Daqui do meu mato eu trabalho muito pela Xawá (luz) para o mundo todo. A gente precisa limpar o coração e redescobrir o amor, a humildade, a coragem de defender a igualdade entre todos e a vida – com tudo de bom e bonito que ela tem”.

A Pajé Raimunda foi uma das cinco personalidades homenageadas este ano pelo Senado por ocasião do Dia Internacional da Mulher.

Para ler mais sobre o tema: altino.blogspot.com/2006/04/primeira-paj-brasileira.html

Publicado por: Primeira Page Brasileira
Em: 27/02/2010 18:06

Índias quebram tradição
Únicas mulheres pajés do país são homenageadas no Senado Federal
Patrícia Miranda
Patrícia Miranda
As índias Raimunda Putani e Kátia Hushaku, da tribo acreana Yawanawa
 

Patrícia Miranda
O senador Tião Viana e as índias que receberam o diploma Bertha Lutz

No último dia 9 de março, Raimunda Putani e Kátia Hushaku, da tribo dos Yawanawa, foram premiadas pelo Senado Federal com o diploma Mulher-Cidadã Bertha Lutz. As índias quebraram um costume ancestral da tribo ao escolher um caminho até então exclusivo dos homens. Prestaram juramento ao Rare, planta considerada sagrada pelos Yawanawa, usada apenas na iniciação ao xamanismo. De acordo com a Fundação Nacional do Índio (Funai), as duas são as únicas mulheres pajés no Brasil. 

Para iniciar o aprendizado no mundo espiritual, as índias tiveram de passar por provas muito difíceis. Durante nove meses não tomaram água e ficaram sem comer alimentos doces ou salgados. Se alimentaram apenas uma vez por dia, basicamente de frutas e um peixe pequeno típico da região. Tiveram que caçar sucuris gigantes, e estão em abstinência sexual por um ano. O principal alimento delas é o espiritual, uma bebida sagrada baseada no uni (ayahuasca) e o rume (rapé), inalado pelo nariz. Durante o tempo em que ficaram na floresta Putani e Hushahu recuperaram rituais já esquecidos como o canto da cura. Criaram novos desenhos tribais e tiveram visões significativas e profundas para o povo Yawanawa. 

As índias foram indicadas ao prêmio pelo senador Tião Viana, vice-presidente do Senado Federal. ?Eu sugeri o nome das duas índias Yawanawa pela coragem e pioneirismo com que vêm abrindo novas trilhas, não apenas para as mulheres, mas para todos de sua cultura?, diz o senador. 

Elas trabalham arduamente para a preservação da cultura Yawanawa. Fizeram um voto de falar apenas em sua língua, o que já provocou efeitos positivos na tribo. Desde então, todos falam no idioma nativo, do tronco lingüístico Pano, ao invés do português. Com suas atitudes, ganharam o respeito dos homens. ?Agora os velhos pajés podem morrer em paz porque temos duas mulheres corajosas, inteligentes e jovens para manter e repassar seus conhecimentos?, diz satisfeito Joaquim Tashka, cacique da tribo Yawanawa. 

O diploma foi concedido a outras quatro mulheres: Geraldina Pereira de Oliveira e Elizabeth Altino Teixeira, pela luta por reforma agrária; deputada Rosmazy Corrêa, responsável pela primeira delegacia de polícia de defesa da mulher e Jupyra Barbosa Ghedini, economista fundadora da Associação de Mulheres de Negócios do Distrito Federal. Todas agradeceram e falaram um pouco sobre seu trabalho em defesa dos direitos da mulher e a luta contra qualquer espécie de discriminação. 

Palavras de Raimunda Putani 

?Hoje eu sei quem eu sou. Estou em paz. Minha língua, minha cultura são muito ricas e bonitas. Elas são nossa identidade. Sei da beleza e da força da natureza. Sinto a força do pensamento. Quando ele é firme, não existe nada impossível, nem nada superior ou inferior. Somos iguais nesta passagem pela vida. Cada um com sua função e o poder de seu querer, que deve ser usado sempre para o bem de todos.Daqui do meu mato eu trabalho muito pela Xawá (luz) para o mundo todo. A gente precisa limpar o coração e redescobrir o amor, a humildade, a coragem de defender a igualdade entre todos e a vida ? com tudo de bom e bonito que ela tem.

As Pajés Yawanawá

 

Silvestre Gorgulho, de Brasília     (Abril de 2005)

Eles são curandeiros e os mensageiros dos poderes sobrenaturais. Eles encarnam a sabedoria de seu povo. Levados pela intuição e pelo conhecimento de seus ancestrais, os pajés são como uma noite esplendidamente estrelada: com milhares de olhos, eles fitam o mundo, fitam a natureza e fitam cada angústia de sua tribo. Médicos, sacerdotes e guias, os pajés são sempre o destaque de cada povo indígena. E com um detalhe. São sempre do sexo masculino. Bem, eram sempre do sexo masculino. Agora o Brasil acaba de apresentar ao mundo uma pajé. Aliás, duas. São as índias acreanas Raimunda Putani Yawanawá, 27 anos, e Kátia Yawanawá, 26 anos. A Pajé Raimunda Putani Yawanawa foi uma das cinco mulheres premiadas pelo Senado Federal, este ano, na 5a edição do Diploma Mulher-Cidadã Bertha Lutz, no Dia Internacional da Mulher, em 8 de março. Com a índia acreana, também foram premiadas Elizabeth Altina Teixeira (PB), Geraldina Pereira de Oliveira (PA), Jupyra Barbosa Ghedini (DF) e Rosmary Corrêa (SP).

Não foi fácil para Raimunda e Kátia Yawanawá vencerem a resistência dos sábios da tribo e ostentarem, hoje, o título de Pajé. As mulheres estão fora desta função.”Precisei provar da vida de branco para entender a importância de minha cultura”, diz Raimunda Putani Yawanawá, a primeira Pajé brasileira. Para acabar com esta tradição, Raimunda e Kátia Yawanawá passaram por uma provação. Ambas enfrentaram uma dura prova de resistência, ficando um ano isoladas na mata. Neste “No Limite” cultural, Raimunda e Kátia tinham que fazer abstinência sexual e comer apenas alimentos crus. De bebida, apenas uma especial à base de milho.

Vitoriosas nesta prova de resistência, as irmãs Yawanawá ficaram prontas para a nova missão. Pajés de sua tribo, agora elas são conselheiras, guardiãs da cultura, dos costumes e da sabedoria do seu povo.
E Raimunda Yawanawá explica, em português, para os brancos com a mesma docilidade com que fala na língua Yawanawá à sua gente: “Tive muita vontade de aprender, de estudar e de viver nossos usos e costumes. Era uma força que estava dentro de mim. Quero poder ajudar e a guiar o meu povo. A vida tem que ter um sentido, ter uma seqüência”.
As irmãs Yawanawá sabem de suas responsabilidades quando fizeram o juramento ao Rare, planta sagrada de seu povo. ” Hoje eu sei quem eu sou. Estou em paz. Minha língua, minha cultura são muito ricas e bonitas. Elas são nossa identidade. Sei da beleza e da força da natureza. Sinto a força do pensamento. Quando ele é firme, não existe nada impossível, nem nada superior ou inferior. Somos iguais nesta passagem pela vida. Cada um com sua função e o poder de seu querer, que deve ser usado sempre para o bem de todos”, ensina a primeira Pajé brasileira.

HUSHAHU E PUTANI

Por Laura Soriano Yawanawa

Kátia Hushahu e Raimunda Putani (foto) são duas mulheres jovens yawanawá -ambas têm 25 anos de idade- que nasceram na Terra Indígena do Rio Gregório, onde habita o seu povo, aqui no Acre, no sudoeste da Amazônia brasileira.

Hushahu e Putani foram as únicas mulheres que tiveram coragem de fazer juramento ao Rare, a planta sagrada do povo yawanawá, que inicia ao aprendizado do mundo espiritual do xamanismo.

Elas juraram ao Rare e aos espíritos dos ancestrais que iriam dedicar suas vidas a aprender e a ajudar o povo yawanawá na sua ciência tradicional.

Quando as duas foram iniciadas no conhecimento espiritual yawanawá, ninguém acreditava nelas, principalmente os homens da aldeia. Falavam que não existia mulher pajé dentro da cultura yawanawa e que a atitude delas era contra a cultura de seu povo.

Mas o velho e sábio Tuin Kuru falou:

– Isso não é verdade. Nosso conhecimento é espiritual e não tem nada a ver com o sexo, cor ou cheiro. Sendo homem ou mulher, todos podem podem aprender porque o nosso conhecimento é espiritual.

Putani e Hushahu, com pouco apoio da comunidade, se refugiaram no mais profundo da floresta com os pajés Tata e Yawarani e começarem o aprendizado. Passaram por provas muitos difíceis. Chegaram num determinado momento em que pensaram que fossem morrer.

Por nove meses não tomaram água tampouco comiam comida normal. Alimentavam-se de comidas muito leves e algum tipo de peixe muito pequeno, mas apenas uma vez por dia. Seu principal alimento espiritual era o uni (ayahuasca), a bebida sagrada do povo yawanawa, junto com o rume (rapé) inalado pelo nariz. Uni e rume são duas “medicinas” muito forte do conhecimento espiritual da cultura yawanawa.

Durante todo esse tempo Putani e Hushahu foram aprendendo coisas incríveis do mundo espiritual. Elas trouxeram de volta o canto de cura, desenhos incríveis, lindos e coloridos da magia do uni. Tiveram visões profundas e significativas para o povo yawanawa.

Ninguém, além dos dois velhos pajés Tata e Yawarani, conseguiu fazer até agora essa dieta que elas fizeram. Alguns membros da aldeia até que tentaram. Por falta de apoio da comunidade, acabaram desistindo e voltaram a cuidar de seus afazeres.

Agora podemos dizer que os velhos podem morrer em paz porque o povo yawanawá tem duas mulheres corajosas e jovens que seguem mantendo esse conhecimento que foi repassado para elas.

Hushahu e Putani seguem trabalhando arduamente para a preservação do conhecimento puro yawanawa. Elas agora ganharam o respeito de todos da aldeia, incluindo o respeito de todos os homens que não acreditavam nelas.

Elas agora fizeram uma promessa de falar apenas em Yawanawa. Isso é um ato muito simples, mas que está tendo grande efeito positivo na aldeia: todos agora preferem falar em yawanawa a não mais em português.

Putani e Hushahu são um grande exemplo para todas as mulheres indígenas e não indígnas. Elas estão traçando uma nova história para o povo yawanawa, onde a mulher é respeitada e escutada nas mesmas condições dos homens.

Nota do editor: Laura Soriano Yawanawa é índia de origem mexicana, das etnias mixteco e zapoteco, formada em antropologia e relações internacionais pelo Principio College de Ilinois (EUA) e assessora dos projetos sociais e econômicos do povo yawanawa. É casada com Joaquim Tashka, um dos líderes yawanawá. O Rare que ela cita é a raiz da planta mais sagrada para o povo yawanawá. Representa o Criador. É tão sagrada que mulheres e crianças não podem passar por perto. Apenas os pajés podem tocar a raiz do Rare. Ao tomar Rare, o espírito da cobra, que é o ser iluminado e de força espiritual, vem habitar no seu coração. A partir de momento que se faz juramento ao Rare a vida muda, sobretudo a forma de pensar. A pessoa renasce e acorda para o mundo espiritual, passando a encará-lo sob nova perspectiva. A dieta de Hushahu e Putani inclui um ano de abstinência sexual. Anteontem, na aldeia, a tribo realizou uma crimônia para comemorar 10 meses da dieta que as duas já cumpriram. Esse resgate cultural começou após a tribo expulsar os missionários evangélicos da organização americana Novas Tribos, em 1986, que tentaram impor a Bíblia traduzida em língua yawanawá.

Publicado por ALTINO MACHADO às 09:36


Publicado 05/07/2011 por chamaluzxama em Uncategorized

Kanarô   Leave a comment

Publicado 05/07/2011 por chamaluzxama em Uncategorized

Lakota   Leave a comment

Índios Lakota rompem com os Estados Unidos

Dezembro 24, 2007 – 9:19 am

Os líderes índíos Lakota, uma das sete tribos Sioux, cujos chefes mais famosos, durante a colonização dos Estados Unidos, foram «Sitting Bull» e «Crazy Horse»romperam os 33 tratados firmados pelos seus antepassados, há mais de 150 anos, com o governo americano. A decisão foi comunicada na passada quarta-feira, em Washington, em conferência de imprensa, após os Lakota terem informado o Departamento de Estado, 48 horas antes.

“Não somos mais cidadãos dos Estados Unidos da América e todos os que vivem nas regiões dos cinco estados que são nosso território estão livres para se unir a nós”, declarouRussel Means. O controverso e contestado activista dos direitos civis dos índios americanos anunciou que “todos os habitantes dos nossos territórios” [Montana, Wyoming, Nebraska, Dakota do Sul e Dakota do Norte] “que renunciarem à cidadania” estadunidense terão “direito apassaporte, carta de condução e a não pagar impostos”Means sublinhou que os tratados são“palavras sem valor, sobre papel sem valor” que foram “violados repetidamente para usurpar a nossa cultura, a nossa terra e os nossos costumes”.
A delegação Lakota visitou, em Washington, as embaixadas da Bolívia, Chile, Venezuela e África do Sul. Idênticas iniciativas diplomáticas serão realizadas no estrangeiro durante os próximos meses, revelou a delegação aos jornalistas presentes. Russel Means, que assumiu a causa desde 1968, apresentou argumentos jurídicos que, alegadamente, justificam a decisão dos índios Lakota nos planos do Direito Internacional e da própria Constituição norte-americana.

“A nossa decisão está conforme as leis dos Estados Unidos, em particular com o artigo 6.º da Constituição”, segundo o qual “os tratados são a lei suprema da nação”, sublinhou. “Também se enquadram nas leis e tratados aprovados na Convenção de Viena, ratificados pelos Estados Unidos e pela comunidade internacional [1980]. (…) Estamos legalmente a defender os nossos direitos a ser livres e independentes”, sublinhou. A ONU aprovou, em Setembro passado, uma declaração não vinculativa sobre os direitos dos povos indígenas. Os Estados Unidos votaram contra argumentando que colide com a legislação em vigor no país. 
Durante a conferência de imprensa Lakota, foram divulgados factos que pouco abonam a favor da cruzada global estadunidense – ancorada na estratégia político-militar da “Guerra contra o Terror” – de disseminação dos valores da Liberdade, da Democracia e dos Direitos Humanos.
No que toca, especificamente, aos direitos, liberdades e garantias dos povos indígenas americanos, a actual e anteriores administrações da Casa Branca, deixaram algumas pesadas heranças. A comunidade Lakota diz ser uma das mais atingidas:

  • Os homens Lakota têm uma expectativa média de vida inferior a 44 anos, uma das mais baixas do mundo;
  • A taxa de suicídios entre os jovens Lakota é 150% superior à média estadunidense;
  • A mortalidade infantil é 300% superior à média do país;
  • A taxa de mortalidade é a mais alta dos EUA;
  • Mais de 50% dos adultos das reservas são viciados em drogas ou o seu estado de saúde é precário;
  • A taxa de tuberculose nas reservas Lakota é 800% superior à média nacional;
  • O alcoolismo afecta 8 em cada 10 famílias;
  • O rendimento médio anual de um Lakota oscila entre os USD 2 600-3 500;
  • 1/3 das habitações não possui água potável nem saneamento básico;
  • Cerca de 40% não possui energia eléctrica;
  • Elevada percentagens (60%) das habitações dos membros da tribo está infectada com“fungos potencialmente letais” ;
  • Cerca de 97% dos Lakota vivem abaixo do limiar de pobreza;
  • A taxa de desemprego nas suas reservas é, no mínimo, de 85%;
  • O programa alimentar “Federal Commodity Food Program” fornece alimentos com elevadas doses de açúcar que matam os indígenas através da diabetes e de doenças cardio-vasculares;
  • A língua Lakota está à beira da extinção, sendo oficialmente classificada como “Língua em Risco de Extermínio”.

“O nosso povo quer viver, não apenas sobreviver, rastejar e sermos mascotes”, afirmou na conferência de imprensa Phyllis Young, fundadora da organização cívica feminina índia «Women of All Red NationsRapid City, Dakota do Sul. 
“Não queremos embaraçar os Estados Unidos. Estamos a lutar pelos nossos filhos e netos”,disse. Na ocasião, Phyllis Young sublinhou também que “esta é uma batalha que não será ganha enquanto eu for viva”. (pvc/websites Lakota)

Publicado 14/06/2011 por chamaluzxama em Uncategorized

CARTA DO CACIQUE MUTUA SOBRE BELO MONTE   Leave a comment

 

CARTA DO CACIQUE MUTUA SOBRE BELO MONTE

 

“Carta do Cacique Mutua a todos os povos da Terra”

 

O Sol me acordou dançando no meu rosto. Pela manhã, atravessou a palha da oca e brincou com meus olhos sonolentos. O irmão Vento, mensageiro do Grande Espírito, soprou meu nome, fazendo tremer as folhas das plantas lá fora. Eu sou Mutua, cacique da aldeia dos Xavantes. Na nossa língua, Xingu quer dizer água boa, água limpa. É o nome do nosso rio sagrado. Como guiso da serpente, o Vento anunciou perigo. Meu coração pesou como jaca madura, a garganta pediu saliva. Eu ouvi. O Grande Espírito da floresta estava bravo. Xingu banha toda a floresta com a água da vida. Ele traz alegria e sorriso no rosto dos curumins da aldeia. Xingu traz alimento para nossa tribo. Mas hoje nosso povo está triste. Xingu recebeu sentença de morte. Os caciques dos homens brancos vão matar nosso rio. O lamento do Vento diz que logo vem uma tal de usina para nossa terra. O nome dela é Belo Monte. No vilarejo de Altamira, vão construir a barragem. Vão tirar um monte de terra, mais do que fizeram lá longe, no canal do Panamá. Enquanto inundam a floresta de um lado, prendem a água de outro. Xingu vai correr mais devagar. A floresta vai secar em volta. Os animais vão morrer. Vai diminuir a desova dos peixes. E se sobrar vida, ficará triste como o índio. Como uma grande serpente prateada, Xingu desliza pelo Pará e Mato Grosso, refrescando toda a floresta. Xingu vai longe desembocar no Rio Amazonas e alimentar outros povos distantes. Se o rio morre, a gente também morre, os animais, a floresta, a roça, o peixe tudo morre. Aprendi isso com meu pai, o grande cacique Aritana, que me ensinou como fincar o peixe na água, usando a flecha, para servir nosso alimento. Se Xingu morre, o curumim do futuro dormirá para sempre no passado, levando o canto da sabedoria do nosso povo para o fundo das águas de sangue. Hoje pela manhã, o Vento me levou para a floresta. O Espírito do Vento é apressado, tem de correr mundo, soprar o saber da alma da Natureza nos ouvidos dos outros pajés. Mas o homem branco está surdo e há muito tempo não ouve mais o Vento. Eu falei com a Floresta, com o Vento, com o Céu e com o Xingu. Entendo a língua da arara, da onça, do macaco, do tamanduá, da anta e do tatu. O Sol, a Lua e a Terra são sagrados para nós. Quando um índio nasce, ele se torna parte da Mãe Natureza. Nossos antepassados, muitos que partiram pela mão do homem branco, são sagrados para o meu povo. É verdade que, depois que homem branco chegou, o homem vermelho nunca mais foi o mesmo. Ele trouxe o espírito da doença, a gripe que matou nosso povo. E o espírito da ganância que roubou nossas árvores e matou nossos bichos. No passado, já fomos milhões. Hoje, somos somente cinco mil índios à beira do Xingu, não sei por quanto tempo. Na roça, ainda conseguimos plantar a mandioca, que é nosso principal alimento, junto com o peixe. Com ela, a gente faz o beiju. Conta a história que Mandioca nasceu do corpo branco de uma linda indiazinha, enterrada numa oca, por causa das lágrimas de saudades dos seus pais caídas na terra que a guardava. O Sol me acordou dançando no meu rosto. E o Vento trouxe o clamor do rio que está bravo. Sou corajoso guerreiro, não temo nada. Caminharei sobre jacarés, enfrentarei o abraço de morte da jiboia e as garras terríveis da suçuarana. Por cima de todas as coisas pularei, se quiserem me segurar. Os espíritos têm sentimentos e não gostam de muito esperar. Eu aprendi desde pequeno a falar com o Grande Espírito da floresta. Foi num dia de chuva, quando corria sozinho dentro da mata, e senti cócegas nos pés quando pisei as sementes de castanha do chão. O meu arco e flecha seguiam a caça, enquanto eu mesmo era caçado pelas sombras dos seres mágicos da floresta. O espírito do Gavião Real agora aparece rodopiando com suas grandes asas no céu. Com um grito agudo perguntou: Quem foi o primeiro a ferir o corpo de Xingu? Meu coração apertado como a polpa do pequi não tem coragem de dizer que foi o representante do reino dos homens. O espírito do Gavião Real diz que se a artéria do Xingu for rompida por causa da barragem, a ira do rio se espalhará por toda a terra como sangue e seu cheiro será o da morte. O Sol me acordou brincando no meu rosto. O dia se abriu e me perguntou da vida do rio. Se matarem o Xingu, todos veremos o alimento virar areia. A ave de cabeça majestosa me atraiu para a reunião dos espíritos sagrados na floresta. Pisando as folhas velhas do chão com cuidado, pois a terra está grávida, segui a trilha do rio Xingu. Lembrei que, antes, a gente ia para a cidade e no caminho eu só via árvores. Agora, o madeireiro e o fazendeiro espremeram o índio perto do rio com o cultivo de pastos para boi e plantações mergulhadas no veneno. A terra está estragada. Depois de matar a nossa floresta, nossos animais, sujar nossos rios e derrubar nossas árvores, querem matar Xingu. O Sol me acordou brincando no meu rosto. E no caminho do rio passei pela Grande Árvore e uma seiva vermelha deslizava pelo seu nódulo. Quem arrancou a pele da nossa mãe? gemeu a velha senhora num sentimento profundo de dor. As palavras faltaram na minha boca. Não tinha como explicar o mal que trarão à terra. Leve a nossa voz para os quatro cantos do mundo clamou O Vento ligeiro soprará até as conchas dos ouvidos amigos ventilou por último, usando a língua antiga, enquanto as folhas no alto se debatiam. Nosso povo tentou gritar contra os negócios dos homens. Levamos nossa gente para falar com cacique dos brancos. Nossos caciques do Xingu viajaram preocupados e revoltados para Brasília. Eu estava lá, e vi tudo acontecer. Os caciques caraíbas se escondem. Não querem olhar direto nos nossos olhos. Eles dizem que nos consultaram, mas ninguém foi ouvido. O homem branco devia saber que nada cresce se não prestar reverência à vida e à natureza. Tudo que acontecer aqui vai voar com o Vento que não tem fronteiras. Recairá um dia em calor e sofrimento para outros povos distantes do mundo. O tempo da verdade chegou e existe missão em cada estrela que brilha nas ondas do Rio Xingu. Pronta para desvendar seus mistérios, tanto no mundo dos homens como na natureza. Eu sou o cacique Mutua e esta é minha palavra! Esta é minha dança! E este é o meu canto! Porta-voz da nossa tradição, vamos nos fortalecer. Casa de Rezas, vamos nos fortalecer. Bicho-Espírito, vamos nos fortalecer. Maracá, vamos nos fortalecer. Vento, vamos nos fortalecer. Terra, vamos nos fortalecer. Rio Xingu! Vamos nos fortalecer! Leve minha mensagem nas suas ondas para todo o mundo: a terra é fonte de toda vida, mas precisa de todos nós para dar vida e fazer tudo crescer. Quando você avistar um reflexo mais brilhante nas águas de um rio, lago ou mar, é a mensagem de lamento do Xingu clamando por viver.

 

Cacique Mutua

Publicado 09/06/2011 por chamaluzxama em Uncategorized

Yawa   Leave a comment

Yawanawá: de volta à aldeia sagrada Imprimir E-mail
Texto e fotos: Flaviano Schneider
“Agora começamos uma nova era”, afirma o cacique da aldeia localizada no alto do Rio Gregório 

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Terreiro Sagrado dos Yawanawás
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Cacique Biraci Brasil e as lanças sagradas

No local em que pela primeira vez viram um homem branco subir o barranco do rio Gregório, lá no alto, sob a liderança do cacique Biraci Brasil (Nixiwaka), os índios Yawanawá estão reconstruindo a aldeia sagrada, onde outrora habitava todo o ‘povo do queixada’, sob a orientação de Antônio Luiz, o patriarca centenário e maior pajé.Biraci Brasil vem recebendo orientações dos espíritos da floresta e está conduzindo diretamente os trabalhos. Os primeiros movimentos foram iniciados em 2005. Na margem esquerda estão sendo construídas as casas dos índios que irão habitar na aldeia enquanto na margem direita foi levantada uma oca, ligada por um trapiche à outra ampla casa, todas cobertas por palha de palmeiras, abundantes na região. Ali, Biraci inicia uma nova fase na vida da aldeia. A terra é abençoada e rica para quem vive na floresta. Muita caça, muito peixe, terra fértil e rica biodiversidade. O clima é agradável. À noite sempre faz frio. Nesta época, muita chuva.

Segundo Bira narrou, seu povo já teve o tempo em que vivia unido em uma só aldeia. Vieram então os caucheiros peruanos, depois os seringalistas brasileiros, com a tentativa de escravização material para obtenção da borracha. Houve a demarcação da terra, os grandes projetos econômicos com o nome Yawanawá, o início da recuperação da cultura, dos costumes e da espiritualidade. “Agora começa uma nova era”, afirma o cacique.

A aldeia sagrada será um local onde os jovens irão aprender a andar na floresta, conhecer a mata, suas ervas, os hábitos dos animais, os rios e seus afluentes. Grupo de alunos com seus professores irão à aldeia sagrada para aprender tudo isso e ainda a arte da cerâmica, as tradições, as brincadeiras, as comidas, etc. Biraci quer se embrenhar na mata com o povo, aproximá-lo cada vez mais da floresta e esquecer que, recentemente, muitos estavam se voltando para as cidades, iludidos. É o caso de alguns índios hoje estudantes universitários – 11 deles estão fazendo faculdade em Rio Branco e Tarauacá – mas o destino é retornar à aldeia e aplicar os conhecimentos adquiridos.

E, finalmente, o mais importante: a aldeia sagrada será um local, de busca espiritual, um centro de formação espiritual onde será permitida a entrada de pessoas de todo o planeta, de grupos de todas as linhas espiritualistas, que venham se apresentar e conhecer a forma Yawanawá de espiritualidade. Segundo Biraci, lhe interessa hoje apenas pequenos projetos que tragam o bem estar de todos que estiverem na aldeia sagrada e os que lá habitam.

Conta Biraci que, antes de morrer, Antônio Luiz disse para seu povo que nunca deveria sair daquele local, que nunca se separassem e nunca parassem de beber Uni, a bebida sagrada. O corpo de Antônio Luiz está enterrado na aldeia sagrada, mas em local muito reservado aonde só vai quem é convidado.

Antônio Luiz também deixou dito que sempre que bebessem Uni, os índios fossem até seu túmulo e deixassem um pote de Uni, para ele beber também. Deveriam deixar também um pouco de rapé de tabaco, planta utilizada amplamente em processos de cura e também na busca espiritual entre os Yawanawá.

O povo Yawanawá fez exatamente o contrário: abandonou a aldeia mãe, surgiram várias aldeiazinhas, embora a primeira delas, a Nova Esperança, seja de longe a mais importante e com maior número de moradores, mais da metade do total. O Uni praticamente foi banido. Também proibiram a língua nativa. Em 1982, Bira começou a construção da aldeia Nova Esperança. Em 2005, começaram os trabalhos na aldeia sagrada e no dia 22 de fevereiro de 2009, uma data histórica, o retorno do Uni e do Mariri ao terreiro da aldeia sagrada pela primeira vez depois de 27 anos.

Aldeia Nova Esperança: o ponto de partida

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Aldeia Nova Esperança, no alto do Rio Gregório

A aldeia Nova Esperança foi a primeira surgida com a consolidação da terra demarcada. Hoje é dirigida por Nani, enquanto Bira está empenhado na construção da aldeia. Nani é o braço direito de Bira e o segundo cacique geral. Bira conta ainda, para guiar o povo, com um grupo de guerreiros mais adiantados na vida espiritual, sua companheira Putany, primeira mulher pajé do povo Yawanawá, o velho pajé Yawa, Kuni, Tikã e o Manoel, fabricante do rapé sagrado, fiel companheiro e mais um grupo de leais guerreiros.Nesta aldeia é realizado o Festival Yawa e ela continuará sendo o centro das decisões políticas, econômicas sociais e culturais. Ela é a base ainda hoje da implantação da aldeia sagrada, que está situada cerca de uma hora acima de bote (motor de popa). Quando há um mutirão, a Nova Esperança fica quase deserta. O trabalho é intenso e são mais de 300 índios envolvidos. Foi feito um grande mutirão na aldeia sagrada, mas uma enorme alagação acontecida em janeiro fez com que os índios perdessem o arroz. Esperavam colher seis toneladas e colheram apenas uma. Mas, imediatamente plantaram no local cinco mil pés de banana. Biraci já está fazendo o planejamento para um grande jardim de árvores frutíferas nas duas margens.

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Durante festa, índios yawanawás resgatam suas tradições com dança típica

O Povo Yawanawá é tradicionalmente um povo mais caçador que pescador e em suas terras sempre há fartura de proteína animal. Dentro de uma tradição de total respeito pela natureza, seus caçadores fazem caçadas coletivas ou individuais e suas caças preferidas são a anta, o veado, o porquinho (caititu) e o queixada. E também algumas aves, muito apreciadas pelas mulheres índias, como as nambus, cojubins e outras. O milho é muito apreciado. A macaxeira reina soberana, cozida, assada, em forma de farinha, como caiçuma está presente no dia a dia. Na aldeia sagrada não entra televisão. Bebida alcoólica – nem pensar – é expressamente proibida, isto tudo já a partir da aldeia Nova Esperança. Muitas dessas decisões são tomadas na oca da aldeia em conversas logo no início do dia.

Uni histórico

No dia 22 de fevereiro, um domingo, o cacique pajé Bira fez o primeiro trabalho com Uni na aldeia sagrada, depois de ter sido interrompido por 27 anos. Ele convidou 27 pessoas, a maior parte de extrativistas e agricultores da região de Rodrigues Alves e do Rio Croa, todos daimistas, quatro estrangeiros, estudantes de várias linhas da bebida Ayahuasca, Emílio Dia (daimista paulista), tendo sido a logística da viagem da comitiva coordenada pelo Centro de Estudos da Ayahuasca, Flor de Jurema, centro daimista do Rio Croa, que tem em sua direção Davi Nunes de Paula e Fabiana de Paula e é dirigido espiritualmente pela cabocla Jurema. Quanto a mim, fui convidado em sonho pelo Bira para ir à terra Yawanawá e finalmente a oportunidade surgiu. A caravana permaneceu na aldeia sagrada durante sete dias.

Unidaime ou Daimeuni?

Biraci abriu a porta da aldeia sagrada para o primeiro grupo espiritualista dentro do centro de formação espiritual e o escolhido foi a Doutrina do Santo Daime, aos quais se juntou o grupo de ayahuasqueiros da Escandinávia e permitiu um feitio do Daime, nos moldes dos ensinamentos do Mestre Irineu. O grupo visitante de daimistas e ayahuasqueiros, com a participação dos índios, construiu uma casinha de feitio, com fornalha de três bocas. O local fica situado a cerca de um quilômetro da aldeia sagrada em local no meio da floresta perto do Igarapé Caxinauá. O local também servirá de apoio ao Festival Yawa.

É importante citar, o Jagube (cipó) e a folha Rainha utilizados no primeiro feitio de Daime na terra Yawanawa foi levado dos jardins do rio Croa, cuja comunidade é a maior reflorestadora de Jagube e Rainha no vale do Juruá, com milhares de pés das duas plantas. O acordo firmado inclui também a cessão de mudas do Croa de suas variedades e vice-versa.

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Feitio do do Daime na Aldeia Nova Esperança

Para o cacique Biraci é este tipo de convívio que ele quer daqui para frente. Amigos que o ajudem a reconstruir a aldeia sagrada, junto com seu povo. Bira ficou especialmente satisfeito, pois é seu desejo que cada vez mais os Yawanawá se voltem para a tradição do Uni e durante os dias de feitio, até alguns índios que nunca tinham bebido Uni, tomaram Daime e gostaram. No momento não resta dúvidas na aldeia de que o povo do Daime é irmão, quase como se fosse outro povo indígena e, aliás, o sangue índio corre nas veias da maioria deles. Segundo Bira não interessa receber na aldeia pessoas com preocupações financeiras ou políticas, isto fica para a Nova Esperança. “Na aldeia sagrada só queremos quem nos alimente o espírito. Aqui é nossa aldeia mãe. Olha a floresta. Debaixo dela habita um povo. Aqui andamos e vivemos como o criador nos criou. Tudo começou aqui” – disse.

A linha Yawanawá

Antonio Luiz tinha em sua língua original oito nomes. É costume Yawanawá chamar as pessoas por vários nomes, como forma de homenagear os mais diversos parentes seja a mãe, o pai, os tios, as tias, etc. Segundo alguns cálculos, ele viveu 116 anos e dirigiu o povo por 107 anos. Como chefe espiritual recebia cinco guias. Biraci está trabalhando para receber os mesmos guias, um pedido especial que fez ao mestre espiritual e já vem sendo orientado por eles. O pajé mais velho da aldeia é o Yawarani, chamado simplesmente por Yawá. É pajé desde os 50 anos e hoje tem cerca de 90. Ele canta também, mas suas especialidades são a reza e os trabalhos com as plantas medicinais. É uma relíquia viva e suas rezas na língua nativa, acompanhados de sopros, são requisitadas por todos. Também recebe duas entidades. Outro pajé cantador, Tatá, mora numa aldeia do baixo rio e não participou das atividades.

Muitos dos cânticos tinham se perdido e o cacique Bira é o canal onde eles vêm sendo resgatados. No ano 2000 recebeu o cântico ‘Kanarô txereeteintê’, durante trabalho com Uni, ocasião em que o próprioYawa chorou de emoção. É um hino à criação, fala da arara amarela (Canindé), o pássaro que voa mais alto da espécie, sai de casa e voa para comer em outros rios, levando a mensagem de sua existência e volta para dormir em casa. Para Biraci o hino é também o símbolo da nova era em que o povo está entrando e simboliza as boas vindas a todas as manifestações de Deus no planeta Terra. Um grande presente no mariri do Uni para um convidado é escutar o hino do Kanarô e ver inserido nele seu nome, como um chamado de boas vindas.

O juramento do Muká

O terreiro sagrado do Muká é um lugar especial dentro da aldeia sagrada. Lá existe uma planta denominada Rarê Muká, a mais sagrada dentro da cultura Yawanawá. É uma planta simples, rasteira e muito rara. É também um pajé, simbolizado materialmente pela planta. Ela não é cultivada. Surge praticamente somente no terreiro sagrado e é quem cuida da folha Kãnikauá. O terreiro sagrado serve como retiro espiritual para formação de pajés, para dietas como a da caiçuma, do jenipapo e para fazer o ‘Juramento do Muká’ ou Juramento do Rarê’, o ato mais sagrado da cultura Yawanawá. Dez índios Yawanawá já fizeram o juramento na fase moderna. O juramento tem geralmente uma finalidade específica, como por exemplo, tornar-se um curador com plantas. O Juramento do Muká é o último recurso para cura de doenças difíceis. Quando Yawá iniciou a dieta, convidou alguns estudantes de pajelança para entrar com ele. Quatro se habilitaram, mas, na hora, três desistiram por acharem que ainda não era o momento e apenas o índio Nãinawa, que trabalha como enfermeiro da Funasa há 13 anos, topou e já está há um mês em dieta. Outro detalhe importante é que os demais índios cuidam da família daquele que está na dieta do Muká. Não deixam faltar nada para sua esposa e filhos, para que o estudante possa se dedicar integralmente à sua dieta.

Nãinawa é um índio especial. Faz uma dieta para se curar de uma enfermidade e para alcançar conhecimento de plantas medicinais, e tem como professor o velho Yawá. Como enfermeiro da Funasa vai incluir no seu trabalho diário o conhecimento adquirido e já está se tornando um importante aprendiz de pajé, confeccionador da lança sagrada da cultura Yawanawá (mustanti pastí) e rezador de grande eficiência. No terreiro sagrado também está plantado o Uni (cipó) e já existem vários canteiros de folhas Rainha.

Índios estrangeiros

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Encontro espiritual reuniu pessoas de vários lugares do mundo na aldeia

Os estrangeiros participantes desta jornada têm, todos, formação espiritual. Il Jan de Ghier nasceu na Holanda e mora na Noruega. Faz arte moderna, constrói casas com materiais recicláveis, faz exposições de esculturas na Escandinávia e dá palestras em toda Europa. Dirige com a esposa um círculo de Ayahuasca denominado Estrela do Norte, no Norte da Noruega. Participou intensamente de todas as atividades com Uni, Daime, rapé, pinturas com jenipapo e atividades na floresta.Joana Hietasola nasceu na Finlândia e mora atualmente na Suécia. É professora de Ioga na tradição Saeraswati, uma das doze principais tradições do Hinduísmo. Para ela, o Daime e o Ioga se completam. Também participa de grupos de estudos de Ayahuasca na Europa.

Bjorn Mattsson nasceu na Suécia onde sempre morou. Foi diretor por 25 anos de uma indústria de panificação, mas abandonou tudo pela alternativa espiritual. Há 15 anos tem formação Sufi e trabalha com shamanismo de índios da América do Norte: os Blackfeet que habitam o Canadá e Norte dos EUA e o povo Hopi que vive no Novo México, Sul dos EUA. Participa de círculos de Ayahuasca em toda a Europa e possui uma pequena reserva florestal na Suécia, denominada ‘Santuário da Floresta’.

Maarit Bredsen nasceu e vive em Oslo, a capital da Noruega, trabalhando como psiquiatra em hospital. É estudante de várias linhas de shamanismo europeu e sul americano já tendo participado de pajelanças com os índios Kaxinawá.

A mensagem do Bira

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Cacique Brasil Biraci dá sua mensagem em defesa da floresta

Durante os sete dias houve várias palestras do Bira e do Yawa contando as histórias dos antepasssados, os sonhos, mensagens para a humanidade. Num dos dias, Bira disse: “A floresta preserva a nossa vida e garante nossa sobrevivência. Precisamos ter muito cuidado com ela. É difícil de cuidar de um território devido à pressão nacional e internacional. Desenvolvimento para o homem significa sacrificar a floresta. Vamos resistir enquanto tivermos força. Vocês são convidados a participar do movimento de preservação da natureza, somos os jardineiros deste jardim natural”.Antes de encerrar é preciso falar de Putany, a esposa do Bira, a primeira pajé do mundo Yawanawa. Ela canta, reza, aplica rapé e também recebe guias. Sua presença é de uma nobreza sem par. É uma fortaleza espiritual. O povo Yawanawá está em boas mãos e o futuro vai contar melhor o ressurgimento espiritual do Povo do Queixada, o animal mais solidário da floresta, que anda sempre junto.

Serviços

A terra Indígena Yawanawá está localizada no alto rio Gregório, município de Tarauacá, com acesso a partir da BR 364 e viagem de barco de pequeno porte.

A visitação turística vem sendo estruturada com assessoria do Governo do Estado, através da Secretaria de Estado de Esporte, Turismo e Lazer (SETUL), cujo produto turístico está inserido no roteiro Caminhos das Aldeias e da Biodiversidade.

As visitas ocorrem mediante agendamento de pequenos grupos em alguns períodos do ano e durante o Festival Yawa, que ocorre no mês de outubro. Os turistas firmam contrato de responsabilidade ética em relação à imagem do povo Yawanawá, seus kenês (desenhos sagrados), música, dança e demais costumes.

A alimentação fornecida ao visitante é a regional, com base de arroz, feijão, farinha, macaxeira, banana, galinha e pato, não compondo o cardápio pratos originários elaborados da caça e pesca para não causar impacto na fauna e em respeito à legislação ambiental e indígena.

A partir de contrato firmado com a Organização Yawanawá, cuja receita decorrente é direcionada em favor de toda a comunidade, a operação turística é realizada pela empresa Maanaim Amazônia Eventos & Turismo Sustentável (www.maanaim-amazonia.com), e-mail:contato@maanaim-amazonia.com, telefones (68) 3223-3232 ou (68) 9971-3232.

Publicado 03/06/2011 por chamaluzxama em Uncategorized

Não a Belo Monte   Leave a comment

Uma sociedade moderna só se desenvolve realmente quando respeita os povos originais e os seus valores, quando vamos efetivamente respeitar os VERDADEIROS donos do Brasil.

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OEA solicita suspensão imediata da Usina Belo Monte.

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA) solicitou oficialmente que o governo brasileiro suspenda imediatamente o processo de licenciamento e construção do Complexo Hidrelétrico de Belo Monte, no Pará, citando o potencial prejuízo da construção da obra aos direitos das comunidades tradicionais da bacia do rio Xingu. Abaixo, os pontos mais importantes da nota divulgada pelo Movimento Xingu Vivo para Sempre e do documento da OEA:
De acordo com a CIDH, o governo deve cumprir a obrigação de realizar processos de consulta “prévia, livre, informada, de boa-fé e culturalmente adequada”, com cada uma das comunidades indígenas afetadas antes da construção da usina. O Itamaraty recebeu prazo de quinze dias para informar à OEA sobre o cumprimento da determinação.
O documento da OEA afirma que o Brasil deve garantir que as comunidades indígenas beneficiárias tenham acesso a um estudo de impacto social e ambiental do projeto em um formato acessível tanto à sua extensão como no que diz respeito à tradução aos respectivos idiomas indígenas.
A decisão da CIDH é uma resposta à denúncia encaminhada em novembro de 2010 em nome de varias comunidades tradicionais da bacia do Xingu pelo Movimento Xingu Vivo Para Sempre (MXVPS), Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Prelazia do Xingu, Conselho Indígena Missionário (Cimi), Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH), Justiça Global e Associação Interamericana para a Defesa do Ambiente (AIDA).
De acordo com a denúncia, as comunidades indígenas e ribeirinhas da região não foram consultadas de forma apropriada sobre o projeto que, caso seja levado adiante, vai causar impactos socioambientais irreversíveis, forçar o deslocamento de milhares de pessoas e am eaçar uma das regiões de maior valor para a conservação da biodiversidade na Amazônia.
A CIDH também determina ao Brasil que adote medidas vigorosas e abrangentes para proteger a vida e integridade pessoal dos povos indígenas isolados na bacia do Xingu, além de medidas para prevenir a disseminação de doenças e epidemias entre as comunidades tradicionais afetadas pela obra.
O Ministério Público Federal no Pará impetrou 10 ações judiciais contra o projeto, que ainda não foram julgadas definitivamente.
A decisão da CIDH determinando a paralisação imediata do processo de licenciamento e construção de Belo Monte está respaldada na Convenção Americana de Direitos Humanos, na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), na Declaração da ONU sobre Direitos Indígenas, na Convenção sobre Biodiversidade (CBD) e na própria Constituição Federal brasileira (Artigo 231).